Em alguns dias vou postar essa matéria no Punknet, mas pra quem visita isso aqui, um presente!
Depois de merecidas férias forçadas, acá estou eu. Tudo bonito gente?
Pois então, comecemos com nossas dicas. Cara, na verdade vou falar uma dica só, mas que tem tanto assunto que vale por mil. Hoje vou falar de Bob Mould, o coroa mais legal, mais bonito (sim, ele é gay e nem por isso deixa de ser bonito em todos os aspectos), mais elegante e um dos músicos mais fodas e geniais de que tenho notícia. É, na verdade eu sou péla saca dele há um bom tempo e não tenho vergonha de dizer que não foi no Hüsker Dü que conheci sua genialidade.
Bons tempos em que a MTV Brasil passava clipes. Me entretendo normalmente – há uns aninhos né, hehe – eis que começa a passar “Changes” do Sugar. Sei lá, acho que meu olho até brilhou na hora. Foi amor a primeira vista, sério. Se a paixonem também, caso não conheçam:
Daí eu fui procurar saber que porra de Sugar era esse. Claro, eu não tinha a manha nem as ferramentas de pesquisa que tenho hoje, daí a coisa foi mais demorada e tensa. Mas acabei descobrindo que o dono do vozeirão que parece até tunado, era de Bob Mould, Sr. Hüsker Dü. Daí pensei “Aaah que foda!” Pô, muito garotinha juvenil criada à leite com pêra, cara.
Apesar da pegada pop (sim e daí?), Copper Blue do Sugar é um dos meus discos prediletos so far. A NME também achou. Eleito melhor disco de 1992 pelo tablóide e além disso, ficou por mais de 18 MESES no topo das paradas no Reino Unido. Pau-a-pau com Screamadelica do Primal Scream e Nevermind do Nirvana, bicho.
“Não espero que o Nirvana abra caminho pro Sugar... Travo minha própria batalha”
Bob Mould, 1992
Sabe aquele disco que você ouve inteiro e quando acaba você ainda fica pensando nele? Pois é, esse é o caso. Muita coisa de Pixies, Hüsker Dü e o que Mould descrevera mais tarde tributos a George Martin (em Hoover Dam) e aos Beatles (If I Could Change Your Mind) faz realmente você pirar na primeira ouvida. A segunda música, A Good Idea, é Pixies pra caralho e tem uma particularidade foda: sabe aquela passada de palheta – sonoridade clássica no hardcore melódico – na guitarra? Então ele faz devargarzinho, o que faz um som muito foda combinado com um baixão fudido! Demais da conta. Em Slick “Deveriam ter usado essa música no seriado Bervely Hills 90210, quando Luke Perry [Dylan] finalmente bate com o carro” declarou Mould na época.
Ano passado, Bob trouxe outra pérola pra gente: District Line. Coisa linda de-meu-deus que levou primeiro lugar na minha lista de fim de ano. No DL Bob abordou a temática da vida urbanóide, que fala da sua vida simples e ao mesmo tempo agitada dentro dos limites de Washington, D.C., relacionamentos, sofrimentos, etcetera e tal. Apesar da forte influência eletrônica do Blowoff – empreitada dele num duo com Richard Morel djeizando músicas eletrônicas em festas nas naites gringas – DL trouxe as guitarradas de Mould na essência assim como no Sugar. Assisti em uma entrevista à Spin no ano passado, Bob falando sobre essa influência, que coisa de 10 anos atrás, ou até menos, música eletrônica pra ele era lixo, e que hoje tava pagando a lingua. Destaques para as músicas “Who Needs To Dream”, a dançante não obstante diferente, “Shelter Me” e a facilmente gostável “Very Temporary”. Atenção especial a duas faixas que já eram conhecidas dos fãs, “Walls of Time”, que fez parte do disco bootleg de Mould, Calm Before The Storm de 1985 e, “Again and Again” que se tornou uma constante nos shows de Bob antes do lançamento do DL.
Ano passado ele também lançou um dvd, Circle of a Friends, que não assisti ainda porque alguém me prometeu o dvd e até agora não me deu (né, Guta?).

Provavelmente quando você ler essa matéria, o novo disco do Bob já terá sido lançado. Tou com ele aqui antes do lançamento e tou em torpor ainda. Estupefata, digamos. Há algumas semanas já tinha ouvido “City Lights (Days Go By)” no AOL podcast e não aguentava mais a ansiedade para ouvir o “Life & Times”inteiro . Esses dias também saiu um set no Daytrotter Sessions, lindo demais, mas o disco mermo que é bom, neca. Até ontem! Tá, “The Breach” não sai do meu repeat, cara. “I know we’ve got friends who help us to understand the breach” É uma frase que não sai da minha cabeça. Por falar em frases, nesse disco Mould tá menos “coitadinho” digamos assim. Numa comparação entre o L&T e o DL, me parece que ele resolveu encarar seus seus medos e anseios de frente deixando o conformismo passional de lado. Se ele no District Line cantava ”It’s the same thing every time, every time” [Who Needs To Dream?] ou ”Sad attempts at poetry, sad attempts at happiness, the sadness of reality.” [Again and Again], um ano depois se mostra com uma surpresa auto-estimática. Não é exatamente a felicidade em pessoa, mas, mais maduro e pronto pra livrar de grilhões que o prendem ao passado/pessoas: “You’re complicating things by being here. I wasn’t planning on this” (…) ”But somehow you’re getting into my box, the piece of my heart I protect. It’s taking me back, to the places I left behind – the old, life and times.” ou exala um certo cinismo ”I contemplate the situation, and pray for change upon my fate. Something tells me it ain’t changing. Bad blood’s better than no blood at all” em Bad Blood Better. E não importa se é rock ou eletrônico, Mould é genial.
Bob Mould – The Breach
Bob Mould – I’m Sorry Baby, But You ou Can’t Stand In My Light Any More
Life and Times
ANTI-RECORDS
$17.98
Releasing Tuesday, April 7
Como sempre, segue a minha lista dos dez dessa semana:
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