Melhores de 2011 (parte 1)
Apesar do ano ter sido uma grande bosta pra maioria das pessoas que eu conheço, o ano foi musicalmente bom. Segue minha tradicional listinha de fim de ano – pode ser que eu tenha perdido alguma coisa, enfim, coisas que só mundo cosmopolita proporciona.
Não é necessariamente nessa ordem, fica muito difícil e leva tempo pra arrumar em ordem de gostosura, mas esses foram meus eleitos desse ano.
Chuck Ragan – Covering Ground
Esse foi o último disco solo do delícia Chuck Ragan, da mais amada banda de Gainesville, Hot Water Music. O disco é muito bom, apesar de usar a receita de bolo já conhecida por todos nós: violãozento, whiskyzento, cigarrento e por que não Springsteenzento? Dessa vez com a ajuda de Jon Gaunt Joe Ginsberg –, sem contar a participação especial de Brian Fallon (Gaslight Anthem), Chris Thorn (Blind Melon), Audra Mae, Chris Phillips (Squirrel Nut Zippers), and Frank Turner.
Meus destaques vão para a faixa de abertura, Nothing Left to Prove e a Jack Kerouacana Nomad by Fate.
City and Colour – Little Hell
Inferninho é um disco lindo, coeso e triste. Foi por alguns meses eleito o
melhor disco do ano pra mim. Apesar de Fragile Bird que não me convenceu por semanas, o disco apareceu no momento certo da minha vida (talvez seja por isso que Fragile Bird era sempre a faixa pulada nas minhas audições), um momento de introspecção e reflexão eu diria. Fragile Bird foge totalmente a temática do disco, nitidamente comercial com um swing atípico do Dallas Green. Hoje em dia eu já tolero e até cantarolo junto.
Esse disco veio mais ousado, e foi uma surpresa não só ouvir gaita e violão o disco todo. O resultado foi além das expectivas – ainda mais para os orfãos do Alexisonfire.
Noel Gallagher – Noel Gallagher’s High Flying Birds

Esse disco é uma primícia de sabores. Eu aguardava ansiosamente e não me decepcionei. O disco todo é sensacional e com certeza é top 5. Noel foi muito esperto apostando no seu talento do lado de fora do Oasis, banda que gosto muito há muito tempo. Como não se joga pra perder, Noel chamou seu comparsas Mike Rowe e Dave Sardy – ex tecladista e ex produtor do Oasis, respectivamente – mais o baterista Jeremy Stacey, da banda The Lemon Trees e o percussionista Lenny Castro, além de participações especiais do Crouch End Festival Chorus e The Wired Strings.
O resultado disso foi uma bolacha sensacional, memorável. Arranjos livres e desempedidos logo de cara – e de corpo.
Meus destaques vão para If I Had A Gun…, The Death Of You And Me, Soldier Boys And Jesus Freak e… ah cara, todas. Ouve sim, não vai se arrepender.
Uma curiosidade sobre a capa é foi tirada em Los Angeles pelo fotógrafo Lawrence Watson, que tinha acabado de comprar uma câmera Polaroid. Gallagher explicou, dizendo: “Há um posto de gasolina velho em Beverly Hills ao lado da delegacia de polícia que tem um telhado de neon triangular, e quando você está por baixo dele, parece que você ficou por baixo de um Concorde. Então, nós saímos uma noite e tudo foi iluminado, até no neon, e nós estávamos levando essas fotos – Parece que eu estive ficado sob asas de um pássaro voando alto”. (Wikipedia)
Owen – Ghost town
O que dizer sobre o Owen minha gente? Tudo bem, pra
quem não sabe, o Owen é o sr. Mike Kinsella já conhecido da sua família abençoada. Abençoada em todos os sentidos, porque em Ghost Town Mike encontrou Jesus. Isso você pode notar explicitamente em I Believe, que é uma coisa-linda-de-meu-Deus. O disco todo mostra sua ascenção, riqueza musical e a reencarnação de tudo que estava guardado dentro dele. O cara virou pai né, e acho que isso contribuiu bastante pra esse outro lançamento top de linha. A produção também conta bastante, já que ficou a cargo de Brian Deck (Iron & Wine) e Neil Strauch (Bonnie ‘Prince’ Billy)
Achei a capinha muito bonitinha e também e me lembrou We, The Vehicles do Maritime.
Rob Crow – He Thinks He’s People

Rob Crow é o meu bonachão favorito. E é o meu vocalista predileto do Pinback também.
Falando sério, esse é o quarto disco solo dele, sequencia de Living Well. Esse é muito melhor que o Living Well – que eu já curtia muito – e último trabalho após o sensacional Autumn of the Seraphs, do Pinback.
He Thinks He’s People é um disco com uma sonoridade similar ao seu último disco solo e se aproximou mais ainda do trabalho do Pinback. Ouça a música Prepare To Be Minded que você vai entender o que eu estou dizendo.
O fato é que esse disco foi realmente escrito por ele, consistente até o talo e repleto de hits para enriquecer seu catálogo solo. Prato cheio pra quem gosta.
Josh Rouse and The Long Vacations
Quem me conhece sabe que eu curto muito o fofo Josh Rouse e é uma coisa
meio que recente. Quando ouvi o 1972 pela primeira vez, me apaixonei de cara por Come Back [Light Therapy] e Love Vibration. Depois pra conhecer mais dei de cara com o Nashville e daí pra cá foi muito amor.
O compositor norte-americano, radicado já alguns anos na Espanha, lançou “Josh Rouse and The Long Vacations” ainda na linha do gingado e swing do El Turista- que particularmente não curti. Dessa vez ele tem uma banda de apoio, o Long Vacations, que conta com a ajuda de seus amigos Cayo and Xema. Mesmo ainda nessa nova fase musical o cara não deixa nada a desejar.
Pode-se ouvir o disco na íntegra no site dele.
Braid – Closer to Closed
Braid é Braid. Mesmo se fosse uma merda seria bom. Sem delongas.
Com produção de J. Robbins (Jawbreaker, The Promise Ring, Jets to Brazil, Frame and Canvas) o EP é uma delicia, pena que acaba muito rápido. Bob Nanna, disse em relação ao J. Robbins que era tudo muito bacana e que trabalhando com ele de novo, parecia que o Braid estava voltando no tempo para a gravação do Frame In Canvas.
Na minha opinião, nesse EP eles misturam toda a macheza do Braid com a sensibilidade do The City on Film, experimentam novas texturas e camadas. O resultado é inegavelmente classudo e perfeito.
Ouça o disco na íntegra aqui.
Samiam – Trips
Não adianta, meu cabelo não nega a mulata. Isso é realmente minha parada.
Depois de um lançamento fracassado com o público de Whatever’s Got You Down, o Samiam veio pra dizer que eles não esqueceram como se faz um disco bom. O Trips tem toda aquela pegada “Super Brava” com uma gravação diferente. Foi produzido por Chris Dugan e foi gravado no Jingletown, estúdio particular do Green Day.
Minha favorita disparada é Nightly.
Albúm de fácil digestão, desce mole em qualquer ocasião.
Ryan Adams – Ashes and Fire
A gente nunca sabe o que esperar de um lançamento novo do Ryan Adams, né? Cada vez ele lança algo diferente, com raizes que vão do country ao metal. Posso dizer que esse é um dos discos mais vagos e maduros da sua carreira.
A vida do cara sempre foi uma zona e tem sido pior ultimamente. Em 2008 mais ou menos, ele descobriu que tem uma doença chamada Síndrome de Ménière, que afeta a audição, provocando zumbidos e até surdez, além de produzir vertigens. E não é por causa de bebida ou droga. Disse ele em entrevista recente que por causa da doença está reaprendendo a compor. Sem contar o baixista do The Cardinals (sua banda de apoio há um tempo atrás) que foi encontrado morto.
Depois dessa bagunça toda, agora temos um Ryan feliz e limpo – pelo menos é o que dizem. E o resultado de tudo isso é um disco digamos, country-alternativo-rock gravado com equipamento analógico sob produção Glyn Johns. Dizer que é um álbum sensacional seria um exagero mas, ele tem momentos extremamente reluzentes e inspirados.
A minha eleita é I Love You But I Don’t Know What To Say. Linda demais





